Cacofonia

O tom sempre começa melancólico. Passam-se os anos e toda vez é assim. Nas águas de uma dor recente. O homem vai e esquece. Sofre e volta. Aqui estou eu mais uma vez. Confusa e vulnerável. Sozinha e dramática. Tento escrever uma história. A minha história. A única. A que não existe. E sempre o que está dentro é muito maior do que o de fora. O que pede, o que deseja, o que sofre, o que segura, o que ama. Quem está fora parece sempre o mesmo, mas são muitos. Muitas vozes pronunciam um mesmo som. Mas a convivência não é pacífica. A cacofonia me impede de encontrar a melodia. O esforço é esporádico e não ganha momentum.